Tudo que você
não sua,
não gasta,
não libera,
não respira;
acumula.
Tudo que você
não chora,
não perdoa,
não esquece,
não cresce;
entope.
Tudo que você
não ri,
não abraça,
não beija,
não ama;
apodrece.
Tudo que você
não muda,
não troca,
não avalia,
não retifica;
empaca.
Tudo que você
equilibra,
aprende,
revê,
expande;
liberta.
“O correr da vida embrulha tudo,
a vida é assim:
esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.”
A maioria das pessoas tem a a péssima mania de supervalorizar o outro e nunca estar satisfeito com o que tem. Mas será que é assim mesmo? Será que a grama do outro é sempre mais verde que a nossa?
Tudo de longe é perfeito. Famílias, empregos, filhos, modos de vida.
Mas tudo isso, na verdade, é fruto da nossa imaginação e da nossa cabecinha insatisfeita com nós mesmos.
A tristeza não tem carro de som, com declarações infelizes e pierrots soltando balões pretos no ar.
E assim, de longe, fica parencendo tudo só alegria. Aquela menina sempre sorrindo, aquela família alegre saindo pra passear na praia, aquele casalzinho agarrado na capa das revistas. Mas, quem vai saber o que essas pessoas realmente são?
Vai ver essa menina se esconde atrás de um sorriso forçado e na verdade ela é um poço de grosseria. Vai ver a família feliz indo pra praia se desentende o caminho todo, com os pais emburrados e os filhos querendo estar em outro lugar. Vai ver o casalzinho se agarra nas fotos, mas, na hora de dormir, cada um sonha com um amor perdido.
Acontece, ora bolas, é a vida.
As pessoas falam muito das suas vitórias e camuflam suas aflições - o que faz parecer que a vida do outro é sempre melhor.
Mas não é nada.
A melhor família é a nossa, que a gente conhece bem. O melhor emprego é o nosso, porque foi a gente que conseguiu e é o que sustenta a gente. O melhor namoro é o meu porque quem ama sou eu. E por aí vai. Vamos aprender a valorizar o que é nosso e parar de imaginar como a vida do fulano é tão mais perfeita. Não é nada. Somos todos passíveis dos mesmos erros e sofrimentos, mas também somos assim em relação às alegrias e felicidades.
(Publicado em 21 de fevereiro de 2005.)
Amanda Sul, 26 anos, Rio de Janeiro. Jornalista, pós-graduada em Design Digital, trabalha como redatora e arquiteta da informação.
Fotografia, design, livros, filmes, discos, museus. Viagens pro meio do mato, incenso, natureza, ashtanga yoga. Comida gostosa e saudável, sorrisos, cachorros. Realizações, expansões, equilíbrios.