Quando eu paro para analisar a minha vida, fico feliz de ver quantas coisas já fiz. Quanto nascer do sol eu já assisti, quanta estrela cadente eu já apontei, em quanto mar eu já molhei os pés.
Já vi tanto filme que me enriquece, tanto livro que me emociona, tanto cachorro de rua que me cumprimenta. Já fui personagem principal de muita cena de vida linda, típica de um oscar para fotografia.
Eu posso dizer que me sinto realizada de transformar a minha vida, aos poucos, na vida mais feliz que eu poderia querer.
Encontrei essa semana um livrinho perdido aqui em casa, chamado “Pequeno manual de instruções para a vida”, de Jackson Brown, que contém dicas de como se levar uma vida gratificante. Eu lembro de tê-lo lido quando ainda era uma menininha e não tinha capacidade pra entender o tamanho de cada ensinamento. Apesar disso, sou capaz de me julgar pronta pra fazer um livro como o dele, com coisas que aprendi a dar valor na vida.
Tenho cães, olho as pessoas nos olhos, canto no chuveiro, tenho ótimos livros, ótimos discos. Sou a pessoa mais sorridente que conheço, sempre gasto menos do que eu ganho, faço trabalho voluntário, faço novos amigos, tenho velhos amigos, sei guardar segredos, sei ouvir, tiro montes de fotografias, amo muito as pessoas e digo isso a todas elas.
Sempre jogo lixo no lixo, nunca ando na contramão pra fugir de um engarrafamento e da minha boca você nunca vai ouvir uma palavra a favor de preconceitos. Não roubo em jogos, não tenho ambições relacionadas a dinheiro e sempre uso o cinto de segurança.
Um telefone tocando não interrompe minha vida para que eu corra e vá atendê-lo, eu não sou a primeira a soltar os braços de um abraço, eu dou tchauzinho pras crianças nos ônibus escolares, eu não exponho minhas vitórias nem minhas derrotas, não aperto a descarga de um banheiro público com a mão.
Se eu caio, eu rio e levanto em seguida. Eu vario meus caminhos diários, eu lambuzo a pipoca com leite condensado sem culpa. Eu cato conchinhas e desenho na areia.
Minhas gavetas estão sempre arrumadas, sei perdoar meus erros e aprender com eles, sei perdoar os erros dos outros e aprender com eles. Eu cheiro flores, aperto o pão quentinho na padaria, evito refrigerantes e não como carne. Eu acredito em milagres, aprecio a comida que vem da terra, a energia que vem do mar, o cheirinho da chuva.
Mesmo sem ter o livrinho na cabeceira da minha cama nesses últimos anos, posso dizer que segui muito bem pelos meus caminhos. E deixo pra vocês um dos melhores conselhos de Brown: “Assuma consigo mesmo o compromisso de estar constantemente melhorando”.
Somos seres inacabados, ainda não prontos, não terminados - como diria Guimarães Rosa.
Construa-se.
(Publicado em 16 de fevereiro de 2006. Readaptado em 13 de setembro de 2007.)
Mentir é só pensar em si mesmo, é desvalorizar o sentimento do próximo, é banalizar o não saber do outro. É ridicularizar quem não sabe através daqueles que sabem.
Quem mente é falso. É duas, três, quatro caras. Quem mentiu, vai mentir inúmeras outras vezes na vontade de sustentar o que foi dito antes. Mentir é olhar pra quem não sabe, sabendo. É falar que é o que não é.
Omissão também é mentira. É se valer do não conhecimento do outro. É se valer da inocência alheia.
A mentira corrói. Rasga por dentro quem descobre. Quem foi enganado nunca entenderá as razões de quem mentiu. A mentira não se justifica.
A mentira destrói. Destrói sonhos, cria expectativas, ilude. Finda amizades eternas e amores pra sempre.
Com a mentira, só o falso existe.
Ela começa hoje e não termina nunca.
Ela não convive com a confiança.
Um enganado será sempre um enganado.
Um mentiroso será sempre um mentiroso.
A verdade, por pior e mais difícil que possa parecer, é sempre o melhor caminho.
A verdade nunca é injusta. Pode machucar, mas cicatriza.
(Publicado em 16 de junho de 2005. Readaptado em 25 de julho de 2007.)
Escrita vigorosa é concisa. Uma sentença não deve conter palavras desnecessárias, um parágrafo não deve conter sentenças desnecessárias, pela mesma razão que desenhar não deve ter linhas desnecessárias e uma máquina não deve ter partes desnecessárias. Isso requer não que o escritor torne todas as sentenças curtas ou evite todos os detalhes e trate os assuntos apenas em ítens, mas sim que cada palavra fale.
De “Os Elementos de Estilo” de William Strunk Jr.
Em tempos de Pan Americano e de um estádio com a quantidade de lâmpadas acesas durante a noite toda como o João Havelange, é bom ficar sabendo dessa.
Surgiu agora o Blackle e o Google Preto, dois sistemas de busca com o mesmo funcionamento do Google que prometem economizar energia com suas interfaces pretas.
Dizem os especialistas que a luminosidade do monitor influencia no consumo de energia do computador. Então, quanto mais clara a tela, maior o gasto. Um site com fundo branco pode gastar 20% mais energia que sites com cores de fundo escuras.
Os dois novos sistemas funcionam igualzinho ao Google, apresentando os mesmos resultados. Dizem que é uma iniciativa do próprio Google, mas acho que não é não. Tem mais cara de uma boa sacada pra ganhar com anúncios do que em se preocupar com o consumo de energia.
Mesmo assim, é bom saber. Fica a dica.
Amanda Sul, 26 anos, Rio de Janeiro. Jornalista, pós-graduada em Design Digital, trabalha como redatora e arquiteta da informação.
Fotografia, design, livros, filmes, discos, museus. Viagens pro meio do mato, incenso, natureza, ashtanga yoga. Comida gostosa e saudável, sorrisos, cachorros. Realizações, expansões, equilíbrios.