Escrever
ver
crer.
Desenhar sua letra,
escolher seus gracejos e defeitos.
Dar-se por satisfeito
com o desenho feito.
Sua letra,
seu capricho,
seu lixo.
Seu traço,
seu tato,
seus atos.
Prisioneiro da opinião que tem de si mesmo.
Limitado.
Definido.
Comprimido.
Travado.
Ignorante.
Fechado na tua própria redoma.
Cerceado por tua própria rédea.
Regurgitando teus problemas.
Engessado nos teus recalques.
Nadando na tua própria superfície.
Larga a borda da tua vida.
Afunda.
Aprofunda.
Há mais.
Há outra visão além da tua própria janela.
Não absoluta, não correta, não exata.
Mas outra.
Que vale a pena ser espiada.
Pra te redimir,
te trocar,
te acrescentar,
te renovar.
Libertação.
Liberta.
Ação.
Liberta a ação de libertação.
Tem o eco das tuas lágrimas,
das tuas perdas,
das tuas queixas,
das tuas deixas.
Tem o peso do teu abandono,
tem a sombra dos teus traumas,
tem a força das tuas palavras,
tem a dor do que você sente,
tem a revolta do que você pensa.
Tem teu tom.
Tem toda a tua tristeza.
Tem toda a tua fraqueza.
Tem tua rebarba, tem parte da tua […]
Lembro de um cartão virtual que vi no site do Snoopy há tempos, onde Patty Pimentinha pergunta a Charlie Brown o que significa segurança.
Ele responde que segurança é aquela sensação de quando se é pequeno e você dorme no banco de trás do carro enquanto seus pais dirigem, ao voltar de algum lugar à noite.
Sempre […]
Amanda Sul, 28 anos, Rio de Janeiro. Jornalista, pós-graduada em Design Digital, trabalha com Mobilidade no O Globo.
Fotografia, design, livros, filmes, discos, museus. Viagens pro meio do mato, incenso, natureza, ashtanga yoga. Comida gostosa e saudável, sorrisos, cachorros. Realizações, expansões, equilíbrios.