Ela queria um coração.
Tanto buscou e batalhou, que quando se deu conta, já o tinha, batendo em seu peito.
Não somente um coração que ama, mas um coração que consegue amar de verdade.
Sem fantasias, sem desejos reprimidos, sem omissões e sem precisar ressucitar fastasmas que já se foram.

E deu adeus a essa incansável busca,
essa tentativa de se satisfazer com o que não satisfaz,
na procura pelo que não vale nada,
de eterno desejo do que não se pode ter.

E quando viu, também já tinha um cérebro.
Um cérebro que sabe o que deve ser evitado e o que deve ser feito.
Vigilante nas ações, palavras e pensamentos.
E até mesmo nos sonhos.

E com um coração de verdade e um cérebro, quem não tem coragem?
Lá veio a coragem na bagagem,
de agir com segurança,
de mudar velhos padrões,
de ser feliz.

E quando viu… Já estava em casa.