Arquivos para Setembro, 2007

O que é se sentir seguro?

Lembro de um cartão virtual que vi no site do Snoopy há tempos, onde Patty Pimentinha pergunta a Charlie Brown o que significa segurança.

Ele responde que segurança é aquela sensação de quando se é pequeno e você dorme no banco de trás do carro enquanto seus pais dirigem, ao voltar de algum lugar à noite.

Sempre achei essa definição fantástica. Tem sensação de segurança melhor do que essa?

No cartão, Charlie Brown complementa, dizendo que chega um dia em que você cresce e as coisas simplesmente não são mais assim.

Fico feliz por já ter crescido e as coisas ainda serem assim para mim. Mesmo que eu não durma mais no banco de trás do carro deles.

Publicando Amanda Sul 24 Set 2007 1 Comentário

Cresça!

Quando eu paro para analisar a minha vida, fico feliz de ver quantas coisas já fiz. Quanto nascer do sol eu já assisti, quanta estrela cadente eu já apontei, em quanto mar eu já molhei os pés.

Já vi tanto filme que me enriquece, tanto livro que me emociona, tanto cachorro de rua que me cumprimenta. Já fui personagem principal de muita cena de vida linda, típica de um oscar para fotografia.

Eu posso dizer que me sinto realizada de transformar a minha vida, aos poucos, na vida mais feliz que eu poderia querer.

Encontrei essa semana um livrinho perdido aqui em casa, chamado “Pequeno manual de instruções para a vida”, de Jackson Brown, que contém dicas de como se levar uma vida gratificante. Eu lembro de tê-lo lido quando ainda era uma menininha e não tinha capacidade pra entender o tamanho de cada ensinamento. Apesar disso, sou capaz de me julgar pronta pra fazer um livro como o dele, com coisas que aprendi a dar valor na vida.

Tenho cães, olho as pessoas nos olhos, canto no chuveiro, tenho ótimos livros, ótimos discos. Sou a pessoa mais sorridente que conheço, sempre gasto menos do que eu ganho, faço trabalho voluntário, faço novos amigos, tenho velhos amigos, sei guardar segredos, sei ouvir, tiro montes de fotografias, amo muito as pessoas e digo isso a todas elas.

Sempre jogo lixo no lixo, nunca ando na contramão pra fugir de um engarrafamento e da minha boca você nunca vai ouvir uma palavra a favor de preconceitos. Não roubo em jogos, não tenho ambições relacionadas a dinheiro e sempre uso o cinto de segurança.

Um telefone tocando não interrompe minha vida para que eu corra e vá atendê-lo, eu não sou a primeira a soltar os braços de um abraço, eu dou tchauzinho pras crianças nos ônibus escolares, eu não exponho minhas vitórias nem minhas derrotas, não aperto a descarga de um banheiro público com a mão.

Se eu caio, eu rio e levanto em seguida. Eu vario meus caminhos diários, eu lambuzo a pipoca com leite condensado sem culpa. Eu cato conchinhas e desenho na areia.

Minhas gavetas estão sempre arrumadas, sei perdoar meus erros e aprender com eles, sei perdoar os erros dos outros e aprender com eles. Eu cheiro flores, aperto o pão quentinho na padaria, evito refrigerantes e não como carne. Eu acredito em milagres, aprecio a comida que vem da terra, a energia que vem do mar, o cheirinho da chuva.

Mesmo sem ter o livrinho na cabeceira da minha cama nesses últimos anos, posso dizer que segui muito bem pelos meus caminhos. E deixo pra vocês um dos melhores conselhos de Brown: “Assuma consigo mesmo o compromisso de estar constantemente melhorando”.

Somos seres inacabados, ainda não prontos, não terminados - como diria Guimarães Rosa.
Construa-se.

(Publicado em 16 de fevereiro de 2006. Readaptado em 13 de setembro de 2007.)

Publicando Amanda Sul 13 Set 2007 2 Comentários