A maioria das pessoas tem a a péssima mania de supervalorizar o outro e nunca estar satisfeito com o que tem. Mas será que é assim mesmo? Será que a grama do outro é sempre mais verde que a nossa?

Tudo de longe é perfeito. Famílias, empregos, filhos, modos de vida.
Mas tudo isso, na verdade, é fruto da nossa imaginação e da nossa cabecinha insatisfeita com nós mesmos.
A tristeza não tem carro de som, com declarações infelizes e pierrots soltando balões pretos no ar.

E assim, de longe, fica parencendo tudo só alegria. Aquela menina sempre sorrindo, aquela família alegre saindo pra passear na praia, aquele casalzinho agarrado na capa das revistas. Mas, quem vai saber o que essas pessoas realmente são?

Vai ver essa menina se esconde atrás de um sorriso forçado e na verdade ela é um poço de grosseria. Vai ver a família feliz indo pra praia se desentende o caminho todo, com os pais emburrados e os filhos querendo estar em outro lugar. Vai ver o casalzinho se agarra nas fotos, mas, na hora de dormir, cada um sonha com um amor perdido.

Acontece, ora bolas, é a vida.
As pessoas falam muito das suas vitórias e camuflam suas aflições - o que faz parecer que a vida do outro é sempre melhor.
Mas não é nada.

A melhor família é a nossa, que a gente conhece bem. O melhor emprego é o nosso, porque foi a gente que conseguiu e é o que sustenta a gente. O melhor namoro é o meu porque quem ama sou eu. E por aí vai. Vamos aprender a valorizar o que é nosso e parar de imaginar como a vida do fulano é tão mais perfeita. Não é nada. Somos todos passíveis dos mesmos erros e sofrimentos, mas também somos assim em relação às alegrias e felicidades.

(Publicado em 21 de fevereiro de 2005.)